As natimães

A morte de um bebê, antes de sua chegada, propicia a frustração de muitos desejos, fantasias e, sobretudo, rompe a possibilidade do exercício da maternidade e da paternidade. Estudos afirmam que frequentemente, para as mulheres, a interpretação do papel feminino passa a ser de desprezo, inadequação. Em outras palavras, é um golpe para a autoestima da mulher, para a sua capacidade maternal e para sua feminilidade.

A situação tão crítica, vivida pela mãe e demais familiares da criança, é, sem dúvidas, algo que merece todos os cuidados psicológicos, humanitários e psiquiátricos, para amenizar a dor e o sofrimento daqueles que perderam um ente querido tão cedo, porém não é isso que acontece nas maternidades públicas. Não existe um leito especial para mães de natimortos. E, os profissionais da saúde são despreparados para atender nesses casos. O apoio psicológico deveria partir da própria equipe médica que esteve ao lado da mãe durante todo esse processo, uma equipe multiprofissional em casos como esse, deveria manter seu foco nas possibilidades de conforto e apoio, tornando real a possibilidade de conversar e expressar os sentimentos atrelados a situação de perda.  Em intervenções psicológicas com estas pacientes, é preciso observar que a perda ocorrida engloba não só o bebê, mas também a perda do sentido que elas vinham atribuindo às suas próprias vidas nos últimos meses.

“A ideia da morte (...) é a mais vazia das ideias vazias, pois seu conteúdo é o impensável, o inexplorável (...) Ela é a ideia traumática por excelência.”
(Morin, 1997)


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